quarta-feira, 18 de novembro de 2015

"...pois eu tinha medo de ti, porque és um homem severo"




"...pois eu tinha medo de ti, porque és um homem severo. Recebes o que não deste e colhes o que não semeastes."
Lucas 19, 11-28

Quantas vezes me perdi no medo, Senhor?
Quantas vezes estive longe da Tua presença, por medo?
Quantas vezes não adentrei as águas profundas, com medo?
Escondi-me de Ti.
Fiquei longe de Ti.
Tive medo.

Escolhi caminhos mais fáceis.
Comodidades.
Destinos traçados.
Achei-me senhora de mim.
Não quis usar o que me destes, com medo da
Tua ira...desconhecia Teu amor de Pai...
Acreditavas um carrasco. Severo. Irredutível.
Tive medo.

Medo de não ser capaz de multiplicar os dons que a mim confiastes.
Medo de não ser forte e não perseverar até o fim.
Medo de não corresponder as expectativas.
Medo do ridículo.
Medo do diferente. Do estranho.
Da humilhação. Da exclusão.
Guardei os talentos.
Enrolei-os num lenço.

De repente, os caminhos se embaralharam...
As comodidades tornaram-se correntes pesadas.
Os destinos traçados, sufocantes.
E já não podia seguir.
Não só...
Resolvi voltar. E vi a Ti.
O Teu amor em mim. Em cada instante. 
Em cada partícula do meu viver.
Te enxerguei de braços abertos. Em festa.

E quando pensei que teria medo, confiei.
Te dei a mão.
Perdoa-me, Senhor, sou pecadora!
Sou uma serva má que não fez frutificar os talentos pra mim doados com tanto amor.
Perdoa-me, Senhor, sou pecadora!
Dá-me mais uma chance.
Clamo a Ti!
Misericórdia!